quarta-feira, maio 20, 2009

EU Profiler

Recomendo a todos que visitem o EU Profiler, uma interessante aplicação na internet com um questionário que avalia as nossas posições polític as e que no final enquadra o nosso posicionamento no quadro político de Portugal e da Europa.
Descobri que os partidos que me são mais próximos em Portugal são, por esta ordem:

1. PH
2. BE
3. MEP
4. PS

O que até faz muito sentido, se bem que o MEP é um pouco à direita demais para o meu gosto. A nível europeu o partido que me é mais próximo é um partido liberal da Letónia!!!!

Soon in my own garden...

Our very own lemon tree!!!

domingo, maio 10, 2009

Cover Letter with Manuscript Revision

Dear friends who waste your lives working in what is usually miscalled "science". This will be a usefull standard cover letter for you future submisions of "revised manuscripts" (a.k.a. original manuscripts reduce a big pile of bullshit):

Dear Sir, Madame, or Other:

Enclosed is our latest version of MS #85-02-22-RRRRR, that is, the re-re-re-revised version of our paper. Choke on it. We have again rewritten the entire manuscript from start to finish. We even changed the goddamned running head! Hopefully we have suffered enough by now to satisfy even your bloodthirsty reviewers.

I shall skip the usual point-by-point description of every single change we made in response to the critiques. After all, it is fairly clear that your reviewers are less interested in details of scientific procedure than in working out their personality problems and sexual frustrations by seeking some sort of demented glee in the sadistic and arbitrary exercise of tyrannical power over hapless authors like ourselves who happen to fall into their clutches. We do understand that, in view of the misanthropic psychopaths you have on your editorial board, you need to keep sending them papers, for if they weren't reviewing manuscripts they'd probably be out mugging old ladies or clubbing baby seals to death. Still, from this batch of reviewers, C was clearly the most hostile, and we request that you not ask her or him to review this revision. Indeed, we have mailed letter bombs to four or five people we suspected of being reviewer C, so if you send the manuscript back to them the review process could be unduly delayed.

Some of the reviewers comments we couldn't do anything about. For example, if (as reviewer C suggested), several of my ancestry were indeed drawn from other species, it is too late to change that. Other suggestions were implemented, however, and the paper has improved and benefited. Thus, you suggested that we shorten the manuscript by 5 pages, and we were able to do this very effectively by altering the margins and printing the paper in a different font with a smaller typeface. We agree with you that the paper is much better this way.

One perplexing problem was dealing with suggestions #13-28 by reviewer B. As you may recall (that is, if you even bother reading the reviews before doing your decision letter), that reviewer listed 16 works the he/she felt we should cite in this paper. These were on a variety of different topics, none of which had any relevance to our work that we could see. Indeed, one was an essay on the Spanish-American War from a high school literary magazine. the only common thread was that all 16 were by the same author, presumably someone reviewer B greatly admires and feels should be more widely cited. To handle this, we have modified the introduction and added, after the review of relevant literature, a subsection entitled "Review of Irrelevant Literature" that discusses these articles and also duly addresses some of the more asinine suggestions by other reviewers.

We hope that you will be pleased with this revision and finally recognize how urgently deserving of publication this work is. If not, then you are an unscrupulous, depraved monster with no shred of human decency. You ought to be in a cage. May whatever heritage you come from be the butt of the next round of ethnic jokes. If you do accept it, however, we wish to thank you for your patience and wisdom throughout this process and to express our appreciation of you scholarly insights. To repay you, we would be happy to review some manuscripts for you; please send us the next manuscript that any of these reviewers sends to your journal.

Assuming you accept this paper, we would also like to add a footnote acknowledging your help with this manuscript and to point out that we liked this paper much better the way we originally wrote it but you held the editorial shotgun to our heads and forced us to chop, reshuffle, restate, hedge, expand, shorten, and in general convert a meaty paper into stir-fried vegetables. We couldn't or wouldn't, have done it without your input.

[Name Removed for Blind Review]

sexta-feira, maio 01, 2009

Nostalgia positiva

Quando olhamos o olhar vazio e desprovido de sentido ou sentimento dos holandeses, por exemplo nos transportes publicos ou simplesmente quando se atropelam uns aos outros com as bicicletas pela rua, é facil perceber que nunca poderão um dia compreender o conceito de saudade. A beleza e a profundidade do sentimento, a dor e a beleza que contém.
Os ultimos tempos têm-me corrido bastante bem, há muito não pensava em saudades. Contudo, cá no fundo todo o português que está longe do seu país a carrega, aqui, algures no peito. Aconteceu hoje ir no carro a trautear musicas portuguesas. Dos Xutos aos Delfins, dos Quinta do Bill aos Ban, imagine-se! Aconteceu vir-me à cabeça o "125 Azul" dos Trovante.
Quando passei mentalmente pelos versos:

"Foi sem mais nem menos
Que me deu para arrancar-
Sem destino nenhum."

Subitamente subiram-me pelas entranhas umas saudades do nosso país, tão forte que quase as senti como uma dor física. De repente senti uma necessidade desesperada de ver o mar, o nosso mar, ver o Atlântico algures na costa portuguesa, numa praia ou numa falésia, entre Caminha e Vila real de Santo António. Mais azul do que o azul, sabe-lo ali, a dois passos, sempre pronto a oferecer descanso para o meu olhar no eterno buliço das suas ondas.
Também eu parti. De certa forma, e olhando agora em retrospectiva, também eu parti sem destino nenhum. Também eu parti, no fundo, na esperança de me encontrar. Tal como na música, parti na esperança que:

"Talvez, um dia me encontre.
Assim, talvez me encontre."

Passaram anos e acredito verdadeiramente que me conheço melhor. Sei melhor quem sou, sei melhor o que procurava. Acho até que, pelo menos em parte, encontrei aquilo que procurava. Sei também, cada vez melhor, a enorme parte de mim que precisa desse mar que é o nosso Atlàntico, só o nosso e mais nenhum. Sei bem que tanto de mim é a nossa comida portuguesa, tanto de mim é sentir a toda a volta o prazer em comer que é tão portugues. Que tanto de mim é essa língua, que foi de Camões e de Pessoa e que agora é minha e vossa, que é nossa. Tanto de mim é sentir a simpatia das pessoas, mesmo das antipáticas. Como poderia imaginar que parte de mim sentiria falta de almoçar ou jantar ao som do Telejornal, em português. Conheço-me melhor. Aprendi a admirar um povo capaz de tal riqueza que é a capacidade de sentir saudades.
Pode não ser hoje, pode nem ser em breve. Podem até demorar anos e mais anos. Mas cá no fundo penso que sei, agora, que um dia voltarei. Que um dia voltarei para ficar.